segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

BLOOD PLAY (JOGOS DE SANGUE)




 No final de 2020 eu coloquei uma caixinha pedindo para vocês darem sugestões e algumas pessoas me pediram para escrever sobre Blood Play.

Essa não é a primeira vez e, surpreendentemente, dessa vez, foram muitas pessoas então, aqui está ... vamos começar o ano de 2021 falando de sangue!

Acomodem-se e aproveitem!

O Blood Play, ou Jogos de Sangue, são todos os jogos que tem por intenção a obtenção do fluído corporal conhecido como sangue! Em linhas gerais, se a intenção da prática for a obtenção de sangue do bottom, estamos diante de um jogo de sangue! Entre elas temos o Cutting, o Needle, o Spanking Hard entre outros.

“Quando falamos de Blood Play estamos falando de uma das práticas com maior apelo visual do BDSM. Tirar sangue, fazer sangrar, respingar sangue, tudo isso e mais um pouco, faz parte de um fetiche tão flexível quanto o próprio Spanking. Flexível porque há diversas formas de fazer, diversas formas de aproveitar e diversas formas de dar errado.”[1]

Nem preciso lembrar aqui que, todo Jogo de Sangue é necessariamente uma Edge Play não é mesmo? Afinal, brincar com sangue requer não somente muita confiança, como também prática e PRINCIPALMENTE higiene e segurança.

O que todo mundo precisa ter em mente é que, quando se decide jogar esse tipo de jogo, os principais riscos são:

📌 transmissão de ISTs

📌 machucar de forma séria e grave

📌 infecções decorrente de contágio com objetos não esterilizados e sujos

📌 danificar alguma veia ou artéria

📌 cicatriz na pele

“Existem dois riscos maiores, um, é silencioso e o outro explícito. O explícito é o risco de causar uma hemorragia, algo que não vai acontecer pela rutura de veias mas sim de artérias as quais possuem pressão suficiente para jorrar sangue mais rápido do que ele possa coagular e estancar. Então, neste risco o mais importante é estudar e conhecer a localização das grandes artérias. Adiciono ainda que é interessante estudar o apalpamento de artérias, assim é possível encontrar a posição específica em cada bottom e se planejar melhor para as práticas minimizando riscos. Você quer tirar sangue apenas de capilares, estude e concentre seu jogo neles.

.O segundo grande risco é silencioso, e vai pegar de surpresa quem acha que dá pra usar qualquer coisa para arrancar sangue. A infeção. É muito, mas muito importante que o material, o ambiente e o botton estejam devidamente preparados para a sessão. Uma dica é aceitar que alguns acessórios não podem ser limpos, eles devem ser descartados após uso em Blood Play, e não estou falando de coisas óbvias como agulhas e bisturis, estou falando de escarificadores improvisados com pregos e grampos comuns, acessórios de madeira porosa que não podem ser completamente limpos, anzóis, raladores de latão e por aí vai. Imprivusou? Joga fora! Se existe resquício de matéria orgânica no acessório, então ele se tornou uma possível cultura de bactérias que comem aquela matéria orgânica, aquela matéria orgânica no caso é a mesma do bottom, entao, joga fora! Eu sei que ficou lindo aquele novo moedor de bottom improvisado estilo MacGyver! Mas usou? Joga fora!”[2]

.Por todos esses motivos, quando eu falo em segurança, não estou falando somente da parte que envolve objetos, esterilização etc. A segurança num Jogo de Sangue começa entre os próprios parceiros e suas saúdes. Portanto, é MANDATÓRIO que sejam exigidos exames que abrangem desde tipo sanguíneo, ISTs, Hepatites até HIV. Fora isso também exames que demonstrem se o bottom é ou não diabético e, se for, sua contagem de glicose também! Pessoas diabéticas com contagem de glicose alta possuem dificuldade de cicatrização, o que pode desencadear uma série de outros problemas.

“Alem do exames citados é também importante conhecer a cicatrização do bottom, se ele tem algum problema de pele, algum histórico de queloide ou algum problema de coagulação.”[3]

.Outra coisa importante para quem for se engajar nesses jogos, é manter um “kit de segurança que contenha, no mínimo, no mínimo, band-aids, bandagem de algodão (gaze) e spray anti-séptico.

.Dica da Tia Storm pra vida, nunca limpem machucados com algodão comum, os fiozinhos que o algodão solta podem causar infecções. Deixem o algodão para tirar esmalte, limpar a pele e para as crianças plantarem feijão!

.Voltando ao foco .... o kit é de extrema importância até mesmo para o aftercare afinal, depois de toda a lambança sanguínea, além de um bom banho com sabonete antisséptico, fazer um curativo muitas vezes, pode ser necessário!

.Agora vamos falar um pouco sobre o que usar ... os jogos de sangue possuem uma pequena gama de possibilidades, aqui vamos desde um ralador até uma faca. O mais importante aqui, é que TODOS os materiais utilizados estejam devidamente esterilizados e se mantenham dessa forma até o momento do uso! Outras duas coisas que devem ser utilizados também estéreis são luvas e máscaras. O uso de luvas e máscaras é recomendado por que estamos falando de sangue né meu povo? Para uma contaminação acontecer, é literalmente, um respiro!

Existe uma máxima que diz que, “estéril só toca em estéril” o que isso quer dizer? Por exemplo, colocou as luvas, vai manusear agulhas? Que elas também sejam estéreis, ou seja não estejam comprometidas com sujidades. Uma vez que você colocar as luvas, tudo deve estar esterilizado a partir daí e, não pode usar essa luva para pegar em objetos não estéreis e voltar para os estéreis, isso dá na mesma que não usar luvas.

.Com relação a ambientação da cena, a minha sugestão é que o local seja:

.📌 limpo, longe de tapetes, carpetes, cortinas, almofadas, etc

📌 tenha uma boa iluminação

📌 seja de fácil limpeza

📌 possua lugar disponível para limpeza e esterilização dos objetos que são passíveis de limpeza, e local para descarte de materiais descartáveis.

.A segunda e terceira imagens desse post mostra o mapa de veias e artérias do corpo humano. Há que se ter uma certa habilidade no conhecimento da anatomia humana para não correr o risco de fazer caquinhas aqui. Lugares como coxas, pulsos, braços e pescoço não são lugares recomendados para Jogos de Sangue por serem lugares com grande concentração de veias e um serviço de irrigação sanguínea bastante farto. Os lugares mais indicados são os que possuem menos irrigação sanguínea e maior concentração de tecido gorduroso (bundinhas por exemplo!)

É bom sempre lembrar que cortes e escoriações superficiais tendem a cicatrizar com mais facilidade e deixarem marcas menores na pele!

.Embora, na minha opinião seja chover no molhado, dizer que uma boa negociação e um excelente estudo da prática são mais do que obrigatórios mas, como aprendi que não podemos pressupor nada nessa vida, fica aqui a minha ressalva: negociação, exames médicos e estudo são OBRIGATÓRIOS nos Jogos de Sangue! Essas coisas não são negociáveis!

.Ok! Negociou muito bem, confia no parceiro, fez todos os exames, está tudo bem, arrumou o espaço correto, os equipamentos de interesse e foi pra sessão ...

.Tenha sempre um telefone por perto! De novo, estamos falando de cortes, de sangue. Minimizar os riscos é nossa obrigação mas infelizmente, não conseguimos ter 100% de certeza que algo pode acontecer. E, nesse caso, de algo acontecer, um atendimento médico precisa ser acionado.

.Se deu tudo certo, terminaram a sessão lindos e plenos, hora do Aftercare! A higiene e limpeza da área afetada são primordiais e devem ser feitas no bottom, assim que a sessão terminar. Como estamos falando de perda sanguínea, estamos falando também de queda de pressão, por isso, ter uma cobertinha caso o bottom sinta frio também é de bom tom!

.Enfim, espero ter dado um norte para aqueles que se interessam por práticas que possam ser entendidas como “geradoras de sangue”!

.E, como último conselho do Sr Violinista: “Outro pronto muito importante é saber quando parar. Você quer tirar sangue do bottom mas não quer sangrar o bottom, o jogo tem intenção de causar impacto visual e não físico.”

📝 Sra Storm

📌 [1], [2] e [3] @sr_violinista

FONTE: https://www.instagram.com/storm.sra/

PROGRAMA BELAS DA TARDE


 Pra matar a saudade do nosso bate papo

Belas da Tarde o Programa!

Primeiro “Saia Justa” de 2021 com Lady Silvia Escobar! 

Na próxima Terça, 12/01 A partir das 20:00h 

Vai perder???? Já anotem suas perguntas!!!

Vcs podem participar enviando suas perguntas, quaisquer perguntas, o tema livre, e seus comentários:

Na própria live durante o programa na pagina https://www.facebook.com/belasdatarde

Ou antecipadamente, inclusive podendo fazer perguntas de forma anônima, no Inbox da pagina.

Haverá transmissão ao vivo também em nossa pagina do Instagram  @belasdatarde.oficial

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Estupro Culposo e o que isso pode impactar na comunidade BDSM?

O tema do dia parece ser o estupro culposo, e é quase certo que a sentença será revista após os recursos cabíveis ao caso.

Como não tive acesso ao processo, não posso afirmar se o caso seria para absolvição ou condenação, mas a única coisa que qualquer operador do Direito mediano sabe é que não existe estupro culposo, e podem até começar aceitar isso, mas aí a impunidade vai aumentar porque com o comportamento cada vez mais liberal das mulheres, basta cair em um Magistrado conservador e a tese de que estuprou sem intenção vai virar comum.
Mas, o porque é importante fazermos uma reflexão na comunidade sobre o tema? A resposta é que infiltrado nos grupos, e com a proteção de pessoas que se dizem até Old School, mulheres estão sendo estupradas diariamente e esta crescendo a impunidade.
Para quem não sabe existe o ESTUPRO VIRTUAL, eis que o estupro não necessita mais a presença física, como aclara o Código Penal:
"(...)
Estupro
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 2o Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
(...) "
Com as alterações do Código Penal, na versão original Atentado Violento ao Pudor não se incluía no estupro, não é mais necessário ter conjunção carnal, ou seja, não mais é preciso o coito (introdução de um pênis na vagina ), e como atos libidinosos passaram a ser alicerce para tipificação do crime, nasceu a figura do estupro virtual.
Infiltrados no BDSM, sem cara, e escondidos por anos atrás de perfis não identificáveis, dizendo-se BDSMers dão ordens, e alguns ainda vem a público e dizem que mentoraram, mas exigem envios de fotos e vídeos para satisfazer sua libido, de pessoas que nem conhecem pessoalmente e não sabem se estão em condições de consentir, e ainda manipulam psicologicamente com ameaças de castigo, chantagens, ameaças de toda sorte, caso a pessoa não continue satisfazendo a sua libido enviando nudes, com inserção de objetos, com auto mutilação (algumas se cortam ou até usam latigos em filmagens para saciar a lascívia do suposto Dom ou Mentor virtual), e as pessoas acham que isso não é crime.
Recentemente, após encaminhar um caso, várias pessoas se colocaram a favor de um indivíduo pelas redes sociais, ou porque são cúmplices, ou porque inocentemente desconhecem o estupro virtual.
Qualquer ato libidinoso que seja ordenado a uma pessoa, que não tinha capacidade plena para consentimento, eis que estava consentindo para um perfil virtual que desconhecia, é ESTUPRO". O consentimento só é valido se: há ciência do que se está consentindo, a quem se está consentindo e se o consentimento é feito em condições de consentir.
Só o fato de consentir para alguém que desconhece, permitindo que suas imagens e sua intimidade sejam reveladas a uma pessoa totalmente desconhecida já atesta de per si que a pessoa não estava em capacidade intelectiva de consentir.
Com as alterações do Código Penal, atualmente não mais é necessário haver o contato físico entre a vítima e o agressor, ou, indo mais além, que estejam as partes no mesmo espaço físico, para caracterizar o estupro. Com este entendimento, o juiz, Luiz de Moura Correia (2017 n.p.), na Central de Inquéritos de Teresina – Piauí da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática-D. R.C. I decretou a primeira prisão por estupro virtual no país:
"Embora no caso não ocorresse contato físico entre a vítima e o agente, esta foi constrangida a praticar o ato libidinoso em si mesmo.”
Nessa situação, o juiz Luiz de Moura, em sintonia com a doutrina, entendeu que houve a prática do crime de “estupro virtual” perpetrado em autoria mediata ou indireta, pois a ofendida, mediante coação moral irresistível, foi obrigada a realizar o ato executório como longa “manus” do agente. (CORREIA APUD SILVA, 2017 online).
De 2017 para cá, já há varias condenações e o avanço dos delitos envolvendo perfis fantasmas de Internet, fez nascer assustadoramente a quantidade de casos, eis que muitos creem que ficarão impunes pois usam perfis de difícil rastreamento.
Outro ponto interessante, é que mulheres também podem cometer o crime de Estupro, seja porque agiram em conluio com um homem para que houvesse conjunção carnal, ou porque utilizaram um perfil de internet para que uma outra mulher lhe satisfizesse sua lascívia.
Para quem é BDSMer mesmo, isso não causa nenhum medo, afinal de contas BDSMers reais tem contatos reais, geralmente em motéis e o consentimento é explícito e os TOPs reais usam de vários mecanismos para verificar se o(a) bottom consente de livre e espontânea vontade, porém para os que estão infiltrados na comunidade, se fazendo passar por quem não são, basta após o envio da primeira ordem virtual a vitima ir até a uma Delegacia que já está configurado o crime de estupro.
Este é um tema jurídico complexo, e a jurisprudência vem se consolidando nos Tribunais, e só não é mais comum porque as vitimas não sabem que há essa possibilidade jurídica.
A partir do momento que deu a ordem, seja para a pessoa se exibir, ou se ferir, já é estupro, mas se der castigo virtual obrigando a ficar de joelho em milho, ou qualquer outro tipo de castigo, o crime fica configuradíssimo.
Saliente-se que isso não impede que a vítima informe outros crimes, pois há casos que se solicitam fotos da casa, de familiares e até a exposição de menores de idade ao suposto Dom Virtual.
Dito isso, é imperioso que a comunidade BDSM seja responsável, e ajude eventuais iniciantes que foram iludidas, em uma rede de suporte emocional e jurídico para que estas levem os casos as autoridades, pois toda vez que alguém se passa por TOP BDSM e é só um perfil virtual e todos ficam omissos, o que se produz é preconceito contra o BDSM.
Não adianta ficar horrorizado(a) com a sentença do Juiz, e não ter empatia, solidariedade e apoio a uma pessoa que sem saber pensou que tinha uma relação BDSM, e foi alvo de algum individuo que se escondendo atrás de um perfil, deu ordens, fez a pessoa se ferir, e depois ainda sai chantageando a pessoa dizendo que vai exibir provas e imagens contra a vítima. É na omissão das pessoas de bem, daqueles que realmente são BDSMers, que pessoas ficam por anos chantageando e ameaçando pessoas mentindo que são BDSMers, e é preciso apoiar as vitimas a irem procurar a Delegacia e evitar que mais famílias sejam vitimas.
Enfim, não adianta todo mundo ficar revoltado com um caso que provavelmente será anulado e "passar pano" e elogiar estuprador que pega pessoas inexperientes, faz lavagem cerebral e depois começa a exigir, para a satisfação de sua lascívia, atos libidinosos de toda sorte.
Escobar 2020
Para os que quiserem maiores detalhes, deixo alguns links jurídicos sobre o tema: