domingo, 14 de fevereiro de 2016

WILMA AZEVEDO

DOR
A alma livre deseja o cativeiro.
No corpo quero sentir o beijo do couro,
Que recebe o meu, quando me dobro,
Diante de sua altivez, submisso.
Amarro-me, amarre-me, ata-me.
Cordas, correntes, coleira.
O meu ser em escravo transforme.
Faça-me sofrer. Vem, tortura.
Na palavra sou castigado,
Impiedosamente humilhado.
Diante de ti eu rastejo.
Sinto do chicote o beijo,
No calor da cera sou queimado,
O prêmio: beber o néctar dourado.